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A mística do parentesco: Uma genealogia inacabada



O ciclo, longo nos anos e denso na minha dedicação, se finda. Quando observo o trabalho no seu todo, fico feliz em concluir que fui bem-sucedido, junto aos estudiosos, em apresentar uma alternativa conceitual para as pesquisas genealógicas no Brasil. Parti de um casal único para contemplar abrangentemente os seus milhares de descendentes. Essa é uma novidade reconhecida. Mostra a genealogia como efetiva ciência auxiliar da história social, mediante a descrição documentada da dinâmica dos casamentos. As investigações que venham a ser feitas sobre a história social brasileira poderão contar com o antecedente de A mística do parentesco, seja como documentação de fatos, seja como modelo metodológico.

Concluo, enfim, pelo tanto que tenho visto, que esse mesmo padrão pernambucano de enredamentos entre famílias de poder político e econômico será confirmado no plano nacional. Deixo para outros essas novas pesquisas.

Em março de 1961, falecia no Rio de Janeiro meu avô Fernando Pires Ferreira Filho, aos 87 anos de idade. Deixou-me em herança seus manuscritos, anotações de família feitas ao longo da vida. Em outubro de 1962 fui estudar em Paris e deixei esse papelório em casa de meus pais, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro.

Quase vinte anos mais tarde, estando eu no Equador, sou convidado para um jantar na casa do poeta-embaixador João Cabral de Mello Neto. Eis que de repente Sua Excelência comenta minhas origens pernambucanas - o grande republicano Gervásio Pires Ferreira -, sua glória e seus feitos. Qual não foi sua surpresa, creio até que irritação, ao perceber minha ignorância. De sua residência em Quito saí envergonhado, com o livro de Francisco Muniz Tavares sobre a história da Revolução Pernambucana, em 1817, debaixo do braço.

De volta ao Brasil em 1981, encontrei à minha espera os empoeirados manuscritos de meu avô. Com eles, decidi então empreender esta tarefa e redimir minha ignorância. Caro João Cabral, muito obrigado!

São quatro as genealogias clássicas do Brasil: as de frei Jaboatão e Borges da Fonseca, que esclarecem as origens baianas e pernambucanas, e as de Pedro Taques e Silva Leme, que tratam das linhagens paulistas. Frei Jaboatão registra mais de 150 famílias em seu famoso Catálogo genealógico; Borges da Fonseca trata de cerca de sessenta famílias em sua Nobiliarquia pernambucana; Pedro Taques anota a descen- dência de 25 famílias em sua Nobiliarquia paulistana; e Silva Leme registra quase cinquenta famílias na Genealogia paulistana.

Já A mística do parentesco: Uma genealogia inacabada trata de uma única família, a de Domingos Pires Ferreira, português que chega ao Recife em 1725. Considerando os seis volumes e não contando os cônjuges, são cerca de 25.000 descendentes espalhados por quase trezentos anos da história brasileira. Gostaria de assinalar que, na maioria dos casos em que não consegui obter dados tais como data e local de nascimento, casamento e morte, assim como atividades profissionais, isso se deveu principalmente ao isolamento geográfico ou ao grande empobrecimento dos parentes pesquisados.

Observo ainda que incluí apêndices em todos os volumes, com o objetivo principal de substanciar as origens de certas famílias entrelaçadas com os Pires Ferreira. Paralelamente, eles constituem uma espécie de chave para a compreensão do histórico dessas famílias, podendo servir de base para estudos genealógicos posteriores.

NOTA: texto extraído do volume 5 - Os Castello Branco e seus entrelaçamentos familiares no Piauí e no Maranhão. 

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Domingos Pires Ferreira e sua descendência - A Mística do Parentesco (6 volumes)
 
volume 1 
Pernambuco
São Paulo: Marques e Marigo; Recife: Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, 1987. 358 p.

volume 2
Piauí, Rio de Janeiro.
São Paulo: Corrêa do Lago, 1992. 352 p.

volume 3 
tomo 1 Piauí/Maranhão
São Paulo: Corrêa do Lago, 1993. 316 p.
 
volume 3 
tomo 2 Piauí/Maranhão (Rio de Janeiro)
São Paulo: Corrêa do Lago, 1993. 284 p.
 
volume 4
Piauí/Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo
São Paulo: Corrêa do Lago, 1990. 240 p.

volume 5
Os Castello Branco: E seus entrelaçamentos familiares 
[Francisco da Cunha Castello Branco e sua descendência]
Parnaíba pi: Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba; São Paulo: Linear B, 2008. 270 p.

volume 6 
A teia do parentesco em Pernambuco
Guarulhos: abc Editorial, 2011. 600 p.


 
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