MORGADO DO CABO: HISTÓRIA & GENEALOGIA - volumes 1 e 2

Autor: Sylvio Campos Paes Barreto.
J. Sholna – Reprodução Gráficas Especiais, 2024
Volume 1 (PDF) - Volume 2 (PDF)
Nesta obra, O Morgado do Cabo - História e Genealogia, o autor discorre sobre o morgado do cabo, sua instituição e seus titulares e a participação dos diversos morgados e outros familiares nos diversos movimentos políco-militares pernambucanos. Instituído na segunda metade do século XVI, o primeiro morgado e seus irmão tanto participaram na expansão pernambucana para o norte, com a conquista da Paraíba e do Rio Grande do Norte como da guerra contra os holandeses, tendo vários engenhos queimados, tomados e revendidos. Na guerra dos mascates, em 1710, houve familiares tanto do lado da nobreza como dos comerciantes do Recife. Por fim, nos movimentos de 1817 e 1824, tanto houve revolucionários como governistas. No livro é esclarecida a formação dos morgados e quantos foram os morgados, sendo o último, o oitavo, Francisco Paes Barreto, Marquês do Recife. Discorre sobre a genealogia dessa imensa família pernambucana que incluí, entre muitos outros, os grandes historiadores, José Antônio Gonsalves de Melo e Evaldo Cabral de Melo. Em nove capítulos trata dos oito morgados e da história da criação do morgado.
(texto da contracapa)
Sobre o trabalho
Poucos tiveram acesso, em vida de Sylvio, aos cadernos nos quais escrevia a história e a genealogia dos morgados do Cabo. Lembro que, sempre aos sábados, após sairmos no Instituto Arqueológico, Sylvio nos convidava, a Reinaldo e a mim, a sua casa, onde nos recebia com um honesto uísque, muitas vezes um puro malte, e algumas latinhas de delicatessens importadas. Ao longo das conversas, umas poucas vezes, entravamos para verificar alguma passagem ou personagem do seu livro, e ai surgiam os famosos cadernos, manuscritos, com muitas notas esparsas, folhas soltas e pequenos cartões, com seus rabiscos. Diversas vezes insistimos na importância da digitação dos cadernos, sob sua supervisão, mas sempre postergava, alegando, com justa razão, da dificuldade de alguém digitar suas confusas notas, sem uma assistência muito grande do mesmo. Sua neta relatou, uma vez, as inúmeras tentativas que havia feito, junto ao avô, para digita-las.
Também, como sempre ocorre em genealogia, sempre esperava esclarecer algum ponto intrincado, alguma filiação desconhecida, algum ramo perdido no espaço. Adicionalmente, Evaldo Cabral de Mello havia lhe passado precioso documento sobre os Paes Barreto que vinha a esclarecer várias dúvidas, necessitando de ampliação do manuscrito.
Em conversa com Evaldo, por exemplo, à qual estávamos presentes, falava nos dez filhos de Bento Correa de Sá, que eram, pela primeira vez, identificados - em suas notas primeiras havia identificado apenas quatro. Tudo era motivo para postergar a digitação e a conclusão do trabalho.
Após seu falecimento iniciamos, Reinaldo e eu, com apoio do seu filho Gilberto, a organização do seu imenso acervo, de documentos e notas. Lá se encontravam os famosos cadernos. Da análise dos mesmos constatamos distintos estágios. Em total cobriam os oito morgados, havendo mais um caderno em que tratava da questão de quantos teriam sido os morgados, então motivo de controvérsia. Mas eram dezenas de cadernos. Do primeiro morgado havia vários cadernos, várias cópias, das mais antigas à mais nova, passada a limpo, sem muitos acréscimos recentes. Os mais trabalhados eram o primeiro, o segundo, o terceiro, o sétimo e o oitavo morgados, geralmente com dois cadernos para cada, uma cópia mais antiga e uma mais nova, passada a limpo, mas já com notas em
páginas soltas e nos famosos cartões. A pior situação era a dos quarto, quinto e sexto morgado, cada um distribuído em dois cadernos ou pastas, não passados a limpo, com dezenas e dezenas de notas, riscos, rabiscos, partes cortadas (às vezes escrito por cima, permanece). Para complicar, a letra de Sylvio, nas notas marginais, era de difícil leitura,
tornada pior nos seus últimos anos, consequência da catarata e da mão tremula pela idade. A sua leitura era quase uma adivinhação. De consenso, o trabalho foi dividido em nove capítulos, um para cada morgado e um sobre a controvérsia de quantos e quem teriam sido os morgados. Sylvio os chama de Livros, mas reunidos, preferimos capítulos. Ao final de cada capítulo deveriam constar as notas. Apenas no capítulo 1 (Livro 1), cujo caderno representava uma versão quase final, Sylvio colocou notas de rodapé, com as referências e as repetiu ao final. Nos outros cadernos, em alguns há notas ao final e em alguns só a indicação para inclusão das referências. Pelo texto, seria relativamente fácil inserir boa parte das referências, assim como preparar a bibliografia ao final deste livro.
Mas como pareceu impossível completar todas as citações, a decisão final foi deixar o texto como preparado por Sylvio, mantendo as lacunas das referências.
O que é hoje (2014) divulgado é um texto trabalhado a várias mãos, como descrito a seguir.
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Yoni Sampaio